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terça-feira, 25 de maio de 2010

A GEOGRAFIA DAS ORIGENS*


HELIÓPOLIS, JERUSALÉM, UR, PERSÉPOLIS, HARAPPA, LUMBINI, LHASA E ILHA DA PÁSCOA: o que existe em comum entre estas localidades sagradas, à parte terem se constituído em centros solares de grandes civilizações áureas do passado? Existe também o fato de se encontrarem todas elas dispostas sobre o paralelo 30 do globo.
Porém, o que teria a ver uma coisa com a outra, ou seja, a natureza de uma civilização e sua disposição geográfica particular? Pois existem realmente respostas bastante evidentes par isto, como a própria questão climática, mas também outras para as quais caberia recordar Shakespeare onde diz existirem "mais coisas entre o céu e a terra do que sonha vossa vã filosofia"...
Para exemplificar, comecemos recordando que o cânone de conhecimentos científicos dos Antigos incluía determinadas leis estruturais e princípios arquetípicos do Universo, abarcando com isto realidades sutis que, não obstante, servem notadamente até mesmo para definir construções presentes nos reinos manifestados ou materiais, como fica evidente em tantos e tantos casos na Natureza. De fato, para os Antigos, a geometria, por exemplo, constituia-se em si num dos principais fundamentos científicos para a compreensão do Universo -e do mundo em particular, como vem a sugerir o prefixo geo presente no termo que, em grego, significa "medida da terra", aproximando-se nisto da palavra geo-grafia, "desenho da terra". Platão, discípulo de Pitágoras, nos dá um último alento desta forma de saber em sua obra Timeu, relacionando elementos a sólidos geométricos, etc. Eis como se refere à idéia um sábio francês, apologista da simbologia para a compreensão das raízes do universo.

A simbologia, uma vez mais, ocupa seu lugar, e é amiúde graças aos índices gráficos, que os investigadores estarão aptos a darem explicações sobre aqueles grandes problemas que tem apaixonado sempre ao cérebro humano. (Serge Raynaud de la Ferrière)
Ora; aplicando-se este princípio à tendência histórica identificada no início, observaremos que sobre a linha do paralelo 30 é possível traçar um triângulo equilátero na circunferência do globo, em direção aos polos, razão pela qual, tendo em vista o caráter tri-unitário e sagrado atribuído a este polígono primordial, estende-se a certos centros humanos ali presentes o simbolismo dos polos igualmente, no caso, eixo ou centro axial da civilização; face este alinhamento triangular com o eixo da Terra. É claro que estas questões apenas determinam as condições unviersais para o surgimento dos grande centros solares da civilização sobre esta faixa, destacando-se dentre elas a riqueza do clima, posto que esta disposição coloca tal faixa justamente no meio do eixo do globo, proporcionando, como em nenhum outro lugar, as quatro estações mais perfeitamente caracterizadas, com reflexos evidentes para a formação de um caráter racial rico.
Tais consideraçõe representam, pois, o verdadeiro coração da simbologia das origens e da axialidade presentes nos Mistérios Maiores, assim como dos mitos relativos às realidades áureas na História. Para exemplificar, na China, o Imperador era comumente conhecido como Polo (em árabe ketub) da civilização. Os emblemas e instrumentos mais importantes fazem também referência à rica simbologia derivada, entre outras, desta triangularidade geográfica primordial. É o caso dos chapéus cônicos dos demiurgos ou a tiara dos Papas, assim como o martelo criador de Vulcano, Hefestos, Zeus, Thor, Vixvakarman e do Grande Arquiteto do Universo na Maçonaria; para limitar-se a isto por ora, posto serem inúmeros os símbolos e os mitos que fazem alusão aos centros solares do paralelo 30 em toda as culturas e à Hierofania que ali regularmente se manifesta. Tudo se resume na integração cultural absoluta, realizada através da manifestação Divina através dos Avatares em raças "eleitas" que servem de berço para o surgimento destes Modelos sagrados.

Uma civilização áurea apresenta um sentido tanto de culminação como de originalidade, ou antes, originação, por manifestar uma perfeita integração entre as diferentes instituições de que se encontra forjada a cultura em geral. Ali, a arte e política, a religião e a economia, a educação e a ciência, respiram todas a mesma atmosfera de unidade e orientam-se por um só objetivo comum, inspirado no Sagrado...
Ora, esta espécie de integração de caráter transcendente, representa um evento cultural cíclico na História (como de resto, todos os outros níveis e formas de expressão humanos), conforme propugnavam os sábios da Antiguidade acerca da natureza dos períodos históricos, coroados que seriam por uma Idade de Ouro que, na sua característica unidade, resgata toda a civilização mundial desde o Caos reinante, redimensionando as perspectivas humanas e reaprumando os espíritos tendidos, possibilitando, enfim, o início de um novo ciclo evolutivo para toda a humanidade.
Esta propugnada Idade de Ouro, vem a ser então não outra coisa que aquela condição idílica narrada nos mitos do Paraíso, o Éden perdido no passado segundo os mitos, mas, também, sempre preconizado no futuro uma vez mais nas profecias, dentro do eterno ciclo das coisas e que, uma vez retornado, possibilita a relação direta entre o homem e a divindade, naquela forma de inocência simbolizada através da nudez do homem e da mulher perante o Criador, numa alusão à transcendência sobre os opostos...
Passado todo um ciclo histórico desde então, é esta condição de unidade cultural que recomeçamos a vivenciar hoje, perceptível na ciência, nas religiões, nas comunicações, na política, nas artes... De uma forma mais clara, ela aparece talvez na reaproximação entre ciência e religião, demonstrando o quociente de subjetivismo existente na relação homem-universo.
Seria possível demonstrar então, de diferentes formas, que ao paralelo 30 corresponde, de um modo todo especial, a incidência geográfica destes períodos áureos da civilização, sendo onde, na realidade, a cultura alcança a sua síntese, a partir da natureza que as energias humanas assumem nesta região, já que nesta espécie de saber integral, pautado sobre a compreensão da Unidade das leis que regem a todos os planos do Universo, a analogia serve realmente e em princípio como uma espécie de lógica universal e evidência natural dos fatos, sem buscar substituir o detalhamento e o específico, que entra, neste caso, na ordem da análise de hierarquias, mas nunca como mera "evidência científica".
De resto, é importante compreender que o próprio simbolismo -sobretudo quando trabalha com esquemas naturais e geométricos-, diz respeito a realidades estruturais do cosmos, tratando-se, portanto, já não de meras referências alegóricas, mas sim de padrões de analogias e fórmulas reais de organização de energias que alcançam atuar em todos os planos.
No caso em questão, podemos evocar precisamente a idéia da triangularidade fixada entre a latitude 30° e os polos, como um padrão arquetípico de síntese. Estudos científicos têm demonstrado que até mesmo geologicamente existem influências desta e de outras espécies de configurações geométricas. Bastaria mencionar a regularidade dos cristais.
Deste modo, o paralelo 30 representa a elaboração de uma precisa epistemologia da cultura, pela convergência de suas diferentes esferas de expressão alcançada pela síntese das experiências raciais. Mesmo porque, por caracterizar a emergência de uma raça integrada, fazendo a imagem da planta fértil, é que em seu seio surgem aqueles Mestres destinados a iluminar e a conduzir a sociedade nos rumos do Amanhã.
Tais Mestres expressam então, eles mesmos, a grande síntese do cosmos, possibilitando a definitiva reintegração de todas as coisas, através da aplicação de Leis superores que eles conhecem e das quais são a própria personificação vivente, templos vivos que representam da Verdade eterna em sua universal manifestação.
E será daí, pela restauração daquela Tradição Primordial, que a humanidade se conduzirá uma vez mais na direção de uma condição áurea na qual se torna possível a harmonia entre todas as coisas, onde o caráter sagrado do matrimônio já não é apenas um mito e a ciência vem a ser o caminho para a iluminação dos homens, onde a religião surge como a via de reintegração dos seres e as artes se apresentam como o estandarte maior para o esclarecimento do povo em direção a um futuro então resgatado ao Caos.

por Luís A. W. Salvi, filósofo e escritor


* Publicado no Boletim da FEEU, Primavera de 1993, sob o título "Os Mistérios do Paralelo 30", e ampliado sob o título acima no Jornal PARALELO 30, n° 2, Setembro 1994, FEEU/Agartha, Porto Alegre, Brasil. O texto segue válido hoje (2005), sobretudo desde o ângulo de Shamballa.

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