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terça-feira, 25 de maio de 2010

A QUESTÃO DO CENTRO


ao lado, Jerusalém, na confluência do Mundo Antigo

TRÊS GRANDES IDÉIAS se encontram associadas na Tradição ao mais sagrado: a questão do Centro, a das Origens e finalmente, a do Norte. Relacionam-se ao símbolo da axialidade, pois se acham simbolicamente vinculadas ao eixo da Terra. E aludem, na prática, àquelas grandes sínteses culturais realizadas no começo de cada novo ciclo histórico. Aquí abordaremos particularmente a questão do Centro, através da análise de alguns mitos relativos à questão.
Um dos grandes símbolos axiais é o da montnha. A mitologia hindu dispõe o pivô da Criação na forma do Monte Merú. Nos Puranas, Vishnu, o deus que emana os Avatares, condensa ao oceano de leite primordial empregando como instrumento uma grande serpente fixada no Monte Meru, o que simboliza o papel dos Avatares em alquimizar as energias zodiacais através de sua posição axial e original no cosmos, gerando periodicamente um novo mundo de evolução racial.

Merú é portanto um emblema cultural da mais alta envergadura, sendo por exemplo o nome de uma importante cidade da Índia situada sobre o paralelo 3O. De fato, este simbolismo não se refere a uma montanha real como alegoricamente alude o mito. Diz H. P. Blavatsky a respeito em seu Glossário Teosófico:
Merú é o nome de uma suposta montanha do centro (ou "umbigo") da Terra, onde está situado o Svarga, o Olimpo dos hindús. Contém as "cidades" dos maiores deuses e as mansões de vários devas. Geograficamente considerada, é uma montanha desconhecida situada ao norte dos Himalayas. Segundo a tradição, o Merú era a "Região da Bem-aventurança" dos primeiros tempos védicos. Se lhe designa igualmente com os nomes de Hemadri ("a Montanha de Ouro"), Ratnasanu ("Cume de pedra preciosa"), Karnikachala ("Montanha de lótus"), Amaradri e Devaparvata ("Montanha dos deuses"). Os ensinamentos ocultos colocam dito monte no próprio centro do Polo Norte, e indicam que era o local do primeiro continente de nossa Terra, depois da solidificação do globo.

Algumas destas indicações tem origem simbólica, como sugere a exposição de Rama Prasad anexa à mesma obra:
O Meru ou Su-Meru é uma simbólica montanha elevadíssima, situada no próprio centro da Terra, isto é, no centro de Jambu-dwipa (Índia ou continente Hindu), que por sua vez se acha no meio de outros seis continentes. O cume deste monte está no céu, sua parte média na terra e sua base nos infernos. Em seu cume está situada a Cidade de Brahma ou Mansão de Bem-aventurança. O Merú não é uma montanha da Terra como as que vemos na superfície de nosso globo. É a linha divisória que separa a atmosfera terrestre do ar superior, isto é, do éter puro; ou usando nossa terminologia, o Merú é o círculo que limita o Prana terrestre. Do lado de cá, o círculo é nosso planeta, com sua atmosfera; do lado de lá, é o Prana celeste, a mansão dos deuses. O sábio Vyasa descreve o Bhurloka (a Terra) como estendendo-se desde o nível do mar até a parte de trás do Merú. Na face da montanha vivem os seres celestiais e, portanto, o limite da Terra é sua parte posterior. Esta linha divisória é denominada montanha (parvata, achala), por causa de sua posição fixa e imutável.

Merú ou Su-Merú é nome que indica claramente a Suméria, cultura contemporânea à dos drávidas do norte da Índia e que mantinha intenso intercâmbio cultural com a Caldéia, cujo centro original localizava-se em Ur, no paralelo 30 (de onde sairia mais tarde Abrahão), situando-se ainda nas próprias raízes da civilização egípcia. Esta Montanha das origens, centraliza outros seis continentes ou terras, e é também conhecida na Índia pelo nome de Sweta-Dwipa. Recorramos ao Glossário uma vez mais:
Literalmente significa Ilha ou Continente branco, um dos Sapta-Dwipas (ou Sete Terras). O coronel Wilford pretendia identificá-lo à Grã-Bretanha, mas se equivocou.
Os ingleses apresentam uma nítida vocação centralista, e a atual posição das coordenadas geográficas longitudinais em Greenwich é uma conquista deste espírito. No entanto, de forma alguma situa-se ali a terra das origens, Sweta-Dwipa, assim como a verdadeira Avalon tampouco localiza-se na Inglaterra, mas sim na América -que seria de resto o verdadeiro Merú dos mitos hindús segundo Blavatsky em Ísis sem Véu:
"Seria mais justo repostar o nome América ao Meru -a montanha sagrada no centro dos sete continentes, de acordo com a tradição hindu- do que a Américo Vespúcio. O nome America Provincia apareceu pela primeira vez num mapa de St. Dié em 1507. Até esta data acreditava-se que a região fazia parte da Índia."

De fato, alguns navegadores que alcançaram a América diziam buscar o Oriente, ou mais especificamente a Índia, razão pela qual os nativos receberam o nome de índios ou indígenas. É óbvio, portanto, que conheciam as terras da futura América, podendo inclusive buscarem os famosos Antípodas, pois estes experientes marinheiros não cometeriam equívocos destas proporções!
A atribuição das origens à América não é estranha à Tradição, e a Atlântida faz parte desta lenda ou história sagrada. A primeira Raça humana teria surgido na Extremo-ocidente, precisamente na região de Meru, em Sweta Dwipa:
"A raça primordial residia na primeira terra firme que apareceu no globo, o pico do Monte Merú, no extremo do polo norte, no começo da imperecedoura Terra Sagrada, a terra dos devas, chamada também Sweta-Dwipa, a Ilha Branca ou Terra Central, cujo clima era como o de uma deliciosa primavera. Esta terra há de ser o berço de cada Raça humana sob o império de Dhruva, o senhor da Estrela Polar, qualquer que seja o ponto onde ele haverá de dirigir-se depois de seu nascimento" (Glossário Teosófico).
A Ilha Branca deve este nome ao seu caráter primordial precisamente (a cor branca é original e universal), e não por situar-se no polo geográfico do globo. Trata-se pois antes de uma simples analogia -dentre tantas empregadas neste contexto simbólico- com a Antártica ou mesmo o Ártico, enfim, as regiões polares ou circumpolares geladas, que não poderiam obviamente sustentar uma "eterna primavera".

A idéia do clima perfeito, que aparece de passagem nas narrativas das origens, é de fato central em toda esta questão, e indica uma das características do Lugar Sagrado por excelência. O clima é afinal alguma coisa de fundamental na formação do caráter de uma raça. Porém, precisando o mito, a região do Merú apresentaria na verdade um clima equilibrado porém diversificado, pois não se entende a evolução como algo estagnado numa só condição, requerendo antes a variedade de experiências que possibilita oportunamente uma síntese-maior.
O contexto que corresponde a todo este quadro, vem a ser pois exatamente o da região ao longo do paralelo 30° do globo. Ali, a luz solar chega de modo a prover a região com a mais variada e equilibrada configuração de Estações no planeta. E isto se deve a situar-se esta latitude exatamente no centro do semi-eixo do globo em cada hemisfério, como se pode observar no diagrama abaixo –além de incluir a geometria axial triangular que justifica na prática a simbologia da Montanha Sagrada:

Esta geometria pode ser matematicamente definida como: o seno de 30° é igual a 1/2 raio da circunferência. Geograficamente falando, o ponto médio do semi-eixo dos hemisférios incide precisamente sobre a latitude 30° numa projeção paralela ao Equador, proporcionando o ápice do equilíbrio sazonal do globo, e perfazendo por isto a suprema imagem de Centro.
Ou seja: por situar-se exatamente no centro da atmosfera terrestre (em termos de hemisférios), o paralelo 30° apresenta a mais ampla e equilibrada variedade de estações, levando seus habitantes também a uma riqueza maior de experiências em sua relação com o mundo, sem chegar jamais a extremos, de um lado, e tampouco permanecer na monotonia, de outro. E é claro, esta vem a ser uma das grandes razões que permitem o surgimento de uma raça enobrecida e equilibrada em seu caráter, a primeira de um novo ciclo mundial, porque a que melhor detém desta forma o mais perfeito poder de síntese: é a verdadeira raça de ouro das origens, o "povo eleito" que vive no Paraíso e que tem a missão e o privilégio histórico de consumar um quadro cultural áureo...
Também se observa que o semi-eixo de cada hemisfério faz um triângulo perfeito com a latitude 30 graus, que corresponde à imagem sagrada da Trindade e à Manifestação das energias divinas no globo, simbolizada na forma da Montanha mística do Centro e na Pirâmide sagrada. Esta simbologia axial da montanha evoca pois a sacralidade e a idéia de Origem sempre vinculada a esta forma primordial: a Trindade criadora, a primeira e a mais simples forma geométrica que existe em termos de angulações. Eis uma das raízes do simbolismo da Montanha sagrada, como o Olimpo, porque é no paralelo 30 que ocorre historicamente a manifestação dos Rishis.

Por esta razão é que no passado, os grandes Centros divino da cultura sediaram-se sobre o paralelo 30°. A Bíblia situa o Jardim do Éden na Mesopotâmia caldaica -especialmente em Ur, diríamos, pátria de Abrahão e portanto origem real do judaísmo. A Aztlan onde astecas focalizam suas origens e que originaria a toda a idéia da Atlântida, é localizada pelos historiadores no sul dos Estados Unidos, e portanto na mesma latitude em questão. Harappa, a cidade perfeita dos drávidas, estava sobre esta região. No ciclo histórico que termina, grande parte das culturas do hemisfério Norte também tiveram ao Cairo como seu centro cultural maior: a antiga Heliópolis dos gregos e, antes, a On dos egípcios é o verdadeiro berço da civilização de Khem. A presença das grandes pirâmides nesta região não é portanto aleatória, pois apresentam na triangularidade de suas faces a mesma simbologia da montanha sagrada. Ora, as pirâmides de Gizeh, pese sua monumentalidade, foram praticamente as primeiras a serem construídas nesta forma regular; o que indica claramente que tal arquitetura apresenta direta associação com a cultura local. Além de representar a emergência de uma ciência perfeita característica da Quinta Raça-Raiz, simbolizam ainda ao Terceiro Ashram Hiperbóreo da humanidade que era fundado na região pela mesma Raça Ariana, sob a proteção da Quarta Raça (através da Caldéia), simbolizada por sua vez pela Grande Esfinge.

Um novo dharma solar e mundial estava sendo portanto instaurado no mundo através da terra egípcia, e por esta razão, o mapa de Piri-Reis, de origem próximo-oriental, extremamente completo pese sua origem remota, e que era empregado por todos os grandes navegadores da Antigüidade, se encontra centralizado precisamente no Cairo. De fato, todas as culturas da Antigüidade -gregos, babilônios, fenícios, africanos, e outros- respeitavam à vontade divina que elegera o Egito como o coração do mundo para a época, e por esta razão reconheciam sua cultura iluminadora, cultuavam seus deuses e emulavam suas criações, além de servirem a Terra de Khem com suas próprias virtudes. E seria apenas pelo reconhecimento geral daquela Ordem Perfeita existente no Egito, que o mundo como um todo conheceria então uma Idade de Ouro generalizada, tendo quase dois mil anos de História pacífica, integrada e fecunda. Dever-se-ia a isto, na realidade, a reconhecida grandeza e a surpreendente longevidade da Civilização do Nilo, que centralizava o dharma divino para a época, com suas legítimas dinastias sagradas.
Certamente, a Shamballa (significa em tibetano "mantida pela fonte da felicidade") e a Agartha ("grande esplendor" em mongol), ao lado de muitas outras designações míticas, fazem alusão, precisamente, ao mesmo princípio-maior da Civilização. Tais Ashrams, que surgem no decorrer das Eras no paralelo 30°, são a manifestação mais acabada do Centro Supremo de nosso planeta: o Trono divino, onde reside o Criador.

* Publicado no Jornal PARALELO 30, n° 3, Outubro 1994, FEEU/Agartha, P.Alegre.

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