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terça-feira, 25 de maio de 2010

OS TRÊS DEGRAUS DA PIRÂMIDE POLAR*


A GEOGRAFIA SAGRADA É MATÉRIA COMPLEXA porque são variadas as fontes de energias que determinam a natureza de uma região e cultura. A simbologia empregada é no entanto muitas vezes universal e funciona a nível de analogias. Assim, quando se fala em "polo", por exemplo, a palavra comporta muitos atributos: geográficos, magnéticos, simbólicos, etc. Mas entre as várias visões não existe discordância, pois todas partem de leis universais que se expressam segundo muitos níveis.
Talvez a mais primordial das questões diga respeito à energia dos triângulos, a forma primordial de criação e a mais sintética, razão pela qual comporta sempre um caráter sagrado. Tudo o que existe se encontra de algum modo incluído na tríade primordial, ou nesta gênese trinitária.
Na organização das energias da Terra também encontramos, pois, o reflexo desta Lei sagrada. E, das várias abordagens possíveis de serem feitas em torno do tema, escolhemos, nesta ocasião, a questão dos três degraus da pirâmide sagrada no triângulo ou pirâmide polar que envolve a Terra através do paralelo 30.
Este percurso pode ser divido de muitas formas, mas aqui nos limitaremos a observar sua repartição ternária principal. Assim, segundo Serge Raynaud de la Ferrière, temos que os dez primeiros graus correspondem a uma energia mais propriamente material; os 10 graus seguintes a uma energia mais psíquica, e os 10 graus finais a uma energia definida como de natureza mental. Numa ordem paralela de analogias, esta triplicidade elementar corresponderia aos três alinhamentos de consciência, chamados Personalidade, Alma e Espírito, respectivamente.
A energia planetária não é fixa, e caminha através destas regiões em sincronia com a evolução do tempo, gerando focos raciais definidamente caracterizados. Já foi observado pelos historiadores, por exemplo, que a Civilização teve seu início (Idade Áurea) na região do paralelo 30, evoluindo com o tempo na direção do Equador.
E isto correspondeu, igualmente, à uma mudança na qualificação das culturas, em sentido geralmente decrescente de integração. E será analisando os princípios que constituem a tríade que poderemos compreender as razões para isto.

Primeiramente, o 10 remete à unidade exclusiva das formas. O básico em toda a cultura é o material, o sentido de sobrevivência imediata e o instinto de reprodução, a economia e a segurança. Espiritualmente, esta região tende a dar origem ao Fundamentalismo.
Logo, o 20 aponta a dualidade reflexiva das emoções. São os sentimentos que geram os relacionamentos, a busca de beleza e a religião. Enfim, coisas que se elaboram após se ter o fundamento material básico. A forma de religião aqui é predominantemente devocional.
E por fim, o 30 alude à síntese integradora da mente. É a inteligência gerando a ciência e as organizações complexas. Ou seja: as engendrações superiores possíveis quando o homem tem não apenas as bases materiais equilibradas, como também seu mundo emocional em ordem. A religião assume antão a forma do ocultismo e da ciência espiritual superior.
Deste modo, a idéia construtivista explica a razão da progressiva complexidade da civilização. Na verdade, e como sugere a imagem dos alinhamentos, cada época e lugar tem todos os três aspectos, mas, obviamente, cada qual desenvolve melhor sua própria característica. Ao mesmo tempo, no entanto, existe dentro do quadro geral um progressivo sentido de síntese e aperfeiçoamento que não pode ser ignorado -e é isto, aliás, que possibilita o surgimento de cada nova dimensão cultural.
Por esta razão, quem compara, por exemplo, a civilização moderna à dos egípcios ou hindús, julgando que o homem está hoje muito mais avançado, mesmo tecnologicamente, levanta realmente dois problemas. Inicialmente, se perceberá neste juizo uma distorção na ótica dos valores. A moderna ciência é realmente complexa e mental, mas ela tem se aplicado sobretudo em torno de variantes materiais. Ciência não é, porém, sinônimo de tecnologia física ou de indústria; significa isto sim conhecimento, o qual permeia a todas as dimensões humanas. E, neste aspecto, não há dúvidas de que os Antigos possuíam muitos e mais variados conhecimentos que os modernos. Seus conhecimentos eram genéricos e universais. Através do domínio direto dos arquétipos da Criação, alcançavam um controle perfeito sobre tudo, a ponto de gerarem e administrarem coisas totalmente inascessíveis ao homem moderno. Muito de tudo isto era sutil e moral, e por esta razão deixaram poucos sinais, mas é a ausência de valores e de poderes internos desta natureza que está levando o homem atual a perder a sua vida e até seu planeta...
Mas também não devemos negar a importância da evolução material do homem -e esta é a outra questão suscitada pela comparação. A evolução decorre sempre, afinal, numa espiral, e mesmo que o mundo atual seja obscuro e fracionado, ele realmente comporta conquistas superiores em seu próprio nível, as quais são e serão úteis no futuro. Esta situação também permanece, de resto, nos limites de nossas analogias, pois a matéria pertence ao domínio da mente básica, e conforma o plano da Personalidade.
A grande síntese da Civilização decorre no entanto nas épocas relacionadas ao paralelo 30. Ali a ciência ressurge gloriosa e integral, dominando e coordenando completamente matéria e emoções, ascendendo a um plano de liberdade de outra forma inacessível.
Não se trata já, pois, apenas da ciência material, mas de conhecimentos aptos a integrarem a tudo. Gerações inteiras de gênios e iluminados tem sido estabelecidas sob tais circunstâncias!
Por esta razão, a civilização típica do paralelo 30 é realmente a verdadeira Idade de Ouro; o Éden e outros mitos áureos estiveram sempre associados a esta região -vide Mesopotâmia, onde o Genesis situa o Éden, assim como a sua contemporânea civilização do Indus.
UMA APLICAÇÃO SINÁRQUICA
Saint-Yves d´Alveydre desenvolveu muito a idéia da Sinarquia, um governo regido por três hierarcas relacionados às pastas da Ciência, da Justiça e da Economia, sendo o da ciência o superior a todos. Certamente, esta Ciência deve ser entendida sobretudo desde o ponto de vista espiritual, de modo que inclui a religião.
Notadamente, vinculam-se estas áreas à natureza das divisões da Pirâmide Polar. Uma aplicação literal ou rigorosa não seria possível, posto que toda a parte deve poder contar com todas estas instituições. Ainda assim, o matiz não pode ser esquecido, e é isto que confere autoridade, no final das contas.
Em toda a parte deve haver Ciência, mas ela é suprema na região Alta.
Em toda a parte deve existir a Justiça, mas é no Centro que ela se especializa.
Finalmente, em toda a parte deve-se tratar da Economia, mas será na Base geográfica que os esforços neste sentido serão mais desenvolvidos ou representarão prioridades.
O sábios do Norte sagrado devem se dedicar mais à Ciência; os filósofos do centro à eqüanimidade social; e os místicos do sul ao proventos elementares. Claro que isto são generalidades, mas são elas que estabelecem as hierarquias. Estas divisões são naturais e tais tendências lhes correspondem da mesma forma, a partir das disposiçõe climáticas e assim por diante. É claro que circunstâncias especiais podem alterar substancialmente este quadro.

* Publicado no Jornal PARALELO 30, n° 12, Julho 1995, FEEU/Agartha, P.Alegre. O caráter triangular da presente abordagem, justificaria o limite desta análise ao paralelo 30, ainda que LAWS hoje o conside incompleto, cabendo incluir pelo menos também paralelo 40 e sua ordem intuitiva.

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