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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

“Crítica” às visões políticas de Platão e de Aristóteles à luz da Sinarquia

Platão e Aristóteles na Academia. Arte renascentista.
Platão e Aristóteles caracterizam as duas grandes correntes do pensamento humano: a hierárquica e a humanista. Ou aquela que investe no homem (ou no valor humano) e aquela que prima pelo sistema (ou no valor das idéias).
Tal coisa divide a política humana em muitos setores, sem excluir as religiões e outras atividades humanas, definindo a própria História da Humanidade no geral e por dentro. É ademais a origem natural da divisão entre “direita” e “esquerda” oriunda do Parlamento francês.

Na sua república, Platão dá bons argumentos para os “especialistas” sociais: os marinheiros não podem tomar conta do navio –eles não conhecem o curso dos ventos e ademais são muitos em número-; além disto, os próprios deuses seriam como pastores de homens. Já Aristóteles sequer defende um sistema em especial, mas antes “aquele que melhor funcione” em dado contexto histórico. São duas posições clássicas e admiráveis, mas que ainda podem ser debatidas e aperfeiçoadas.
A Filosofia Perene, por sua vez, através da Sinarquia ou “Governo Conjunto”, se caracteriza pela unidade e harmonia, tratando pois de compatibilizar ambas as tendências e ainda superá-las. Muitas Cosmologias mostram a “evolução” como o desdobramento de uma Unidade original.
A Sinarquia de Saint Yves d’Alveydre possui três Altos Prepostos, associados à Ciência Universal, à Justiça e à Economia. Estas três camadas transparecem nas tríplices divisões de Shambala ou de Agartha nas tangkas tibetanas, associadas também à Divindade, à Hierarquia e à Humanidade-raiz.
O poder dos sábios nada mais é que a autoridade moral e arbitral, assim como social e não política, nos dizeres do Marquês. Verdade que Platão já faz uma aproximação do tema, ao estreitar política e filosofia. Sua fórmula: “a sociedade achará o seu rumo quando os governantes forem filósofos ou quando os filósofos forem governantes.”


bobo-da-corte 

Contudo, esta fusão, seja de que lado for, não costuma dar certo, e pela mesma razão pela qual é necessário haver especialistas nas coisas. Se elas convivem bem é outro assunto. Um Estado com filósofos conselheiros (incluindo os bobos-da-corte) sempre deu os melhores resultados -assim como a precisa definição ou distinção entre Estado e Governo.
Como política e filosofia são funções especializadas, tampouco funciona serem fundidas: uma sempre irá engolir a outra. Então acabamos caindo novamente no conceito da Sinarquia, onde a filosofia também encontra uma função real, não exatamente política mas social (como dizia Saint Yves d’Alveydre sobre a própria Sinarquia), assim como moral e espiritual, talvez mais ainda que como “conselho”, mas como prescrição mesmo, reguladora e orientadora. A sua autoridade deriva não apenas da sabedoria mas também da popularidade, no respeito que o povo tem pelos sábios, graças à dedicação social dos filósofos (entendidos seja como profetas, santos ou sacerdotes). Se houver conflito estes dois poderes, repercute pior socialmente sobre a função política. Talvez possamos associar a filosofia ao poder Legislativo e a política ao poder Executivo, porém quem legisla poderia também julgar.

Assim, podemos definir três instâncias administrativas “legais” (os títulos são aqueles dados pelos Marquês de Saint Yves d’Alveydre na obra "A Missão da Índia"):

1. Governo Oculto ........ Ciência Universal (Brahmatma)
2. Estado Universal ..... Justiça (Mahatma)
3. Governo Geral .......... Economia (Mahanga)

Este último sobretudo, o “Governo Geral”, também pode manifestar outras pastas administrativas visando o Setenário Universal e como um desdobramento da própria tríade Suprema, na forma de Educação, Religião e Arte.
Para a Sinarquia, não basta apenas o homem de valor e nem somente um sistema aperfeiçoado. O homem cai se o sistema é ruim e o sistema não serve se os homens não prestarem. Então a Filosofia Perene propõe um bom sistema para formar bons homens, através das Ordens Primordiais e das Escolas Iniciáticas, visando servir de matriz para as coisas humanas. Então temos aquele cenário das Origens das Civilizações, onde tanto as instituições religiosas como as sociais convivem estreitamente com as Escolas Iniciáticas e são por elas orientadas.

A ideia do “Governo Interno” do mundo deriva pois desta proposta original, possuindo expressão ideal através de Altos Prepostos como os profetas hebreus e apóstolos cristãos. Há traços de Sinarquia na Roma que institui o Conselho dos Filósofos junto ao Pontifex ou Imperator. Como há nas lendas arthurianas onde o druida Merlin educa à parte o rei de sangue nobre que desconhece a sua própria origem.


As Ordens espirituais buscaram apresentar muitas vezes este Governo Paralelo ou Oculto, como a Igreja que coroava os reis a partir da Alta Idade Média com Carlos Magno, e a coisa funcionou razoavelmente bem até que elas decidiram de misturar de fato com o Estado ou assumir força temporal. As Ordens devem procurar administrar seus próprios interesses de forma independente.

Hoje num mundo tão materializado, investir na política é coisa mais que perigosa. A única saída está no apelo às estruturas alternativas como forma de conceber opções para a humanidade e assim debilitar o monopólio econômico do sistema elitista opressor.


Luís A. W. Salvi é escritor holístico, autor de cerca de 150 obras sobre a transição planetária.
Editorial Agartha: www.agartha.com.br
Contatos: webersalvi@yahoo.combr, Fone (51) 9861-5178

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