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terça-feira, 3 de março de 2015

O BRASIL É UM RIO QUE FLUI

De porque o Centro-Oeste representa uma Terra Prometida 
para a nação represada no Sudeste


Quando um rio encontra leito para correr, ele não deve ser represado senão estaremos impedindo o fluxo da vida de seguir, e seguramente nos arrependeremos logo adiante, quando o pequeno mundo que represamos artificialmente deixar de comportar condições para a vida crescente.
O Brasil é como um rio que, desde a sua criação, vem avançando sobre os seus vastos territórios, ao invés de permanecer estagnado num único ponto inicial tendo o resto das terras como periferia. Daí a sua vocação pacífica, fraternal e ecumênica, pese todos os percalços inerentes a um quadro de surgimento civilizatório.
E a forma como este fluir se revela alcança a sua mais plena oficialidade institucional. Trata-se da mudança das próprias Capitais Federais a cada par-de-séculos, com funções que ultrapassam seguramente a simples importância de “ocupar os territórios em nome da segurança nacional”, assim como a exploração das novas terras pelos interesses capitalistas.
Na verdade, existe uma evolução social implícita neste movimento, nestes termos:

a. NORDESTE : base do proletariado
b. SUDESTE : base da burguesia
c. CENTRO-OESTE : base da aristocracia *
d. NORTE : base da espiritualidade
e. SUL : base de coordenação final


Os ciclos das Capitais nacionais correspondem aos mesmos ciclos das revoluções sociais (“desconstrutivas”) européias, que refluem mundo afora especialmente a Ocidente. Porém existem algumas diferenças fundamentais, mais ainda no caso do Brasil. A métrica é similar, mas não a direção (“construtiva” em nosso caso) e sequer os momentos pontuais. Isto é bem como o curso da vida que ascende na criança mas descende no adulto.
O Novo Mundo representa uma fundação nova com seus próprios marcos espaço-temporais. A Descoberta das Américas (ou do Brasil), possui significado bem maior para este Novo Mundo do que para a o Velho Mundo, por mais que este seja protagonista –nem sempre bem quisto!- das transformações ocorridas.
Podemos comparar isto à geração de uma criança. Os pais são responsáveis por ela desde a fecundação, mas ela vai se tornando dada vez mais independente. Ademais destes “empreendimentos” familiares serem coisas mais ou menos corriqueiras para os pais, ao passo que para a criança representa “tudo”, pela própria chegada à vida.

A atrofia sudestina

O fluxo das nossas Capitais Federais ainda segue atualizado em tese, mas não exatamente a força do “rio” da civilização nacional, represada indignamente a certa altura deixando à mingua a evolução das coisas, levando a renovação senão ao estrangulamento, certamente a distorções monstruosas.
A revolução capitalista de 64 ocorreu para deter o rio da Nação que avançava para o seu interior, sinalizado pela criação da Nova Capital, uma vez que atingindo os “abrigos seguros” agarthinos já nada mais deteria a avanço do Brasil! Foi assim esta uma evidente medida periferista e um golpe neo-colonialista.
Um dia a nova Terra Prometida será a Amazônia, mas é óbvio que para isto a “lição de casa” do Centro-Oeste deveria ser realizada, através da reeducação social, espiritual e ambientalista da sociedade nacional; sob pena de termos apenas a pior das situações.
Infelizmente é justamente isto que acontece hoje, dada a atrofia no ciclo capitalista da nação e seu caráter centralizador ou endoimperialista. As movimentações rumo ao interior seguiram agonizantes, quase reduzidas meramente à mística -hálito alado do momento suspenso pela foice do tempo, depois pervertido de toda forma pela completa falta de objetivação-, e regadas à corrupção e à exploração mais crua das terras e das gentes.
Embora não detenha mais a Capital física da nação, o poder político permanece no Sudeste através do poderio econômico e social, concentrando populações sobretudo do Nordeste, a fim de ter não apenas mão-de-obra barata como também contar com capital humano localizado nas eleições.
O poderoso Sudeste capitalista trata o restante do país como satélite, embora saiba manejar bem a região anteriormente organizada em termos populacionais que é o Nordeste, oferecendo senão tanto o pão ao menos bastante circo –coisa que não deixa de incluir certas encenações políticas.
As massas humanas excedentes no país –se realmente existem tantas assim- deveriam estar sendo canalizadas para o Centro-Oeste, juntamente com os investimentos econômicos através das mediações federais, democráticas e republicanas.

Esperanças em meio ao caos

Hoje existe no país uma divisão ideológica tácita -reflexo direto dos resultados das Guerras Mundiais do século passado- que passa ao largo da percepção corrente, formada pelas antigas regiões de um lado e pelas novas regiões de outro lado, mas onde o Sul se alinha com estas últimas porque ainda não foi Sede Federal, pese haver influenciado na organização e no amadurecimento do ciclo atual através do fomento da consciência nacionalista, e que resultou na criação de Brasília quando um político mais relacionado aos interiores alcançou a presidência.
A loucura capitalista começa porém a cobrar um preço estrutural no país, sob as mudanças climáticas fomentadas no mundo todo pela cultura materialista, e aqui pela deterioração ambiental localizada nas cidades imensas do Sudeste e no país pela degradação da Amazônia.
O esgotamento dos recursos ambientais do Sudeste coloca toda a região em colapso.  O Sul permanece ambientalmente mais estável por contar com estruturas climáticas diversas, ainda assim oferece condições limitadas, para além das migrações seletivas que já ocorrem sobretudo por parte dos paulistas.
Se o próprio Centro-Oeste –que representa uma das grandes regiões do país- estivesse mais organizado, poderia oferecer uma saída imediata para estas populações em crise. Contudo, dificilmente o centro geográfico do país aceitará migrações desordenadas, antes deverá negociar criteriosamente investimentos de infra-estrutura e verdadeiro manejo de impacto ambiental.


É fato que, pese todas as distorções sofridas, o Centro-Oeste já desponta como a meca dos empregos nacionais, e tal coisa deverá se ampliar muito doravante –ainda que a região nem sempre comporte condições para populações mais amplas e deva cuidar melhor dos seus recursos naturais, a fim de não seguir rapidamente pelos mesmos descaminhos do Sudeste.

* Na falta de melhor palavra... A nobreza tradicional envolve uma consciência social ampla e integradora, nacionalista enfim, comportando dimensões guerreiras, políticas e filosóficas. Não confundir com as castas atrofiadas medievais, ainda que a propaganda burguesa sempre exagere as suas mazelas.

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